quarta-feira, 22 de abril de 2009

Quero

A quilômetros daqui talvez haja um lugar para mim
Eu quero um lugar para rir
Quero um lugar para ter companhia
Quero um lugar para me esparramar
Quero um lugar para cantar
Quero um lugar para dar "Bom dia"
Quero um lugar para pensar
Quero um lugar para falar
Quero um lugar para ser quem sou
Quero um lugar que possa amar
Quero um lugar que haja carinho
Quero um lugar que me roube sorrisos
Quero um lugar para ficar triste
Quero um lugar onde me refugie
Quero um lugar para correr
Quero um lugar para gritar
Quero um lugar para chorar
Quero um coracão que me aguente

Menina dos olhos azuis

O que escondes por trás de teus olhos?
Um oceano profundo onde posso e quero me afogar?
Talvez um céu azul e limpo
Por onde voaria sem medo de me esborrachar no chão?
Quem sabe é o diamante mais perfeito?
Ou a Jade mais azul?
Ou a pedra preciosa
Que faria toda a riqueza de um sheik parecer algo comum?
Quem sabe por trás destes olhos esteja o paraíso?
esteja todo o carinho de que preciso?
Não sei o segredo destes olhos
Mas sei que deles não consigo tirar os meus
Sei que pela existência deles
Agradeco todo santo dia a Deus
Sei que agucam o desejo
E inspiram a paixão
Seiq que deles surge meu sentimento
E que neles está guardado o mistério de teu coracão
Menina dos olhos azuis
O que esconde por trás de teus olhos?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A janela

Para a janela o gato mia, o apaixonado canta sua serenata, a bola de futebol vai.
Da janela a Dona Margot joga água quente, a menina apaixonada ouve a serenata, Madre Lúcia mostra a bola e a fura com uma faca.
Na janela as gotas de chuva batem, os raios de sol se refletem, o pó lá de fora se acumula e o vidro fica trincado.
Pela janela se vê o mundo, o interior e o exterior, o movimento. Pode-se regar as plantas, olhar o céu, observar o lar, conhecer as estrelas. Fazer pedidos, orações e esperar o Papai Noel. Pela janela percebemos alguns lances, facetas, pedaços de histórias e da vida. Pela janela criamos desejos e esperanças. Antes de me bater com o mundo lá de fora, conheci bem minha janela quando criança.

Volta

Primeiro de Dezembro. Primeiro dia de férias. Pela primeira vez um menino sai de casa de manha bem cedinho para fazer o que quisesse. Disposto a gastar o dinheiro guardado durante o ano para fazer e acontecer durante o mês até o Natal. Não voltaria para casa até a data determinada. Queria a liberdade.
A primeira coisa que fez foi reservar um quarto num hotel. Então saiu. Andou, correu, jogou bola, comeu tudo o que queria, se empanturrou, "cocotiou as cocotas", ou melhor, "xavecou" as meninas, bebeu, dançou, pulou, festejou e se esbaldou. Livre de tudo! Estava livre! Era livre!
Cansou. Voltou para o hotel, entrou no quarto, foi ao banheiro, lavou o rosto e sentou ao pé da porta. Esgotado. Parado. Analisou e dissecou o nada, que no silêncio lhe sussurrou e confirmou em sua mente o que ele mais queria. Voltou para casa.

Fora de lugar

Porque jogamos uma pilha fora? Porque descartamos um copo quebrado? Porque não utilizamos chuteiras para jogar basquete? Porque não uma bola de golf para jogarmos futebol? Porque não calcamos botas para ir a praia? Ou bebemos chocolate quente no verão? Porque não tomamos remédio quando estamos sãos? Ou colocamos sal num bolo de chocolate? Porque não usamos uma colher para cortar carne? Um óculos para passar manteiga no pão? Porque paramos de usar uma bola furada? Ou uma roupa toda rasgada?
Pelo mesmo motivo que ando angustiado. Onde estamos colocados nesse quadro, não cumprimos com nossa função.

Limites

O que seria um quadrado se não tivesse seus quatro lados? O que seria um círculo se não fosse delimitado por sua circunferência? O que seria um país sem suas fronteiras? Nada? Não. Seriam alguma coisa. Mas que coisa? Não sei. Só sei que o quadrado, o círculo e o país teriam o mesmo nome, "alguma coisa", e seriam iguais já que o quadrado, o círculo e o país seriam 3 coisas informes. indefinidas e sem extensão determinada e/ou específica.
Engraçado, o que será que torna o quadrado quadrado, diferente do círculo círculo e de um país país? Se analisarmos e refletirmos bem, o que os define é que o quadrado tem quatro lados, o círculo sua circunferência e um país fronteiras. O que há de comum entre estes é que todas essas diferenças e especificidades são, e podem ser, substituídas pela palavra "limites". E o que é limite se não tudo aquilo que o homem busca quebrar? Tudo aquilo que o homem busca quebrar (pergunta retórica).
Somos descontentes com os limites e vivemos reclamando deles. Só que não sacamos que os limites, assim como com o quadrado, o círculo e o país, são o que nos define. O que é ter um corpo definido senão um corpo com todos os músculos no limite da rigidez? Um corpo com todos os músculos no limite da rigidez (retórica de novo).
Não nos contentamos com o que somos, com nossos limites. Porque não posso voar? Porque sou um ser humano, não um pássaro, e aliás, se voasse, não seria nem pássaro e me, ser humano, mas outra coisa bem diferente. E já que comentado a "diferença", o limite é o que nos difere. Porque não sou bom em álgebra? Porque sou Bruno Reikdal, limitado desse modo, diferente de Newton, que com certeza tinha outra configuração de limites.
No fim das contas, devemos ser gratos por nossos limites, explorá-los ao máximo para compreender quem somos nós, onde estamos, até onde vamos e como devemos chegar (viver). Explorando aqui e ali, conhecendo-nos e descobrindo no que somos bons e no que podemos contribuir para explorar os limites dos outros limitados como nós.

A dúvida

Desde criança temos e somos ensinados a ter medo da duvida. Ao primeiro sinal de "titubiada", questionamento ou ponto de interrogação (?), a reação brusca é uma resposta ríspida e dura, quando não uma chacota seguida de risadas. "Mas porque? Como assim? Será que realmente é assim? Quem disse?"
Resposta: "Porque sim! (ou porque não!). Um dia você entenderá. É porque é. Será que você não entende? Que burro! Dá zero pra ele!"
Nos esquivamos da dúvida. Nossos pais se esquivaram da dúvida. Criamos um monstro chamado Dúvida. Mas claro, olhe as respostas que ouvimos ao duvidar. Além de que, peguemos os exemplos de quem duvidou; Galileu duvidou do sistema solar "conhecido" até então, e foi quase queimado vivo. Maquiavel duvidou da legitimidade do poder temporal da Igreja, e foi taxado como mal e seu nome associado até hoje a atitudes sombrias, inescrupulosas e sádicas (maquiavélicas). Eu duvidei da existência dos "mols" e tirei zero na prova de química (acho que esse exemplo não é um bom exemplo).
Mas a questão é que criamos pavor a duvida ao execrarmos quem duvida. O problema é que o ponto de partida de qualquer descobrimento, conhecimento, ideologia, filosofia e lógica, é a dúvida. Galileu desvendou os "mistérios" do universo porque duvidou da certeza de então. Newton destrinchou os desígnios e fenômenos físicos porque questionou as explicacões que lhe deram. E esse é o ponto central; ao duvidar, questionamos, e a partir daí descobrimos, conhecemos, criamos e nos aprofundamos.
Sem o questionamento que advém da dúvida, aprendemos não a refletir e produzir conhecimento, mas sim a aderir a idéia que a nós for melhor apresentada. Daí o abandono e esquecimento dos conhecimentos anteriores. Daí o porque pessoas simplesmente eliminam Deus, rejeitam as chamadas "viagens" filosóficas, tem aversão ao místico, tornam-se descrentes, céticas, brutas.
A partir da dúvida permitimos a mudança. A partir da dúvida avançamos na nossa compreensão de mundo. A partir da duvida libertamos nosso pensamento e incentivamos a reflexão.
Se você compreendeu o que eu tentei (mal, mas tentei) passar, releia o texto. Só que agora, comece a duvidar...